quinta-feira, 9 de maio de 2013

Venha fazer parte desta obra - Visão de Deus - nossa Missão


Pastoral Maio 2013.

Que a Paz e a Graça do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com vocês!

Visão de Deus, nossa Missão.

Temos bons planos de expansão da IELM no Reino de Deus. O Senhor tem nos dado uma visão missionária, comprometida com a teologia da Cruz, que é ampla e dinâmica, onde privilegia o ensino da sã doutrina cristã no modo tradicional do luteranismo confessional, sem, contudo tornar-se pesado e enfadonho. Nosso trabalho missionário é um “SIM” em alto e bom som ao "Ide" do Senhor (Mc 16.15).

A missão urbana e a plantação de igrejas confessionais não é um processo fácil nem simples, mas se faz necessário mais e mais a cada dia. Nosso propósito é plantarmos igrejas onde possamos envolver cada membro de nossas comunidades no serviço cristão e também na visão que o Senhor tem nos dado.

A evangelização é à base do crescimento do Reino de Deus, e consequentemente da igreja, porém a igreja luterana histórica e confessional, que não partilha da teologia da glória, zela pelo correto ensino, mas tem sofrido justamente por não investir satisfatoriamente na preparação dos seus membros. É comum em algumas comunidades luteranas o pastor ser o "faz tudo". Em alguns casos conhecidos a maioria dos membros nem mesmo aceita a ideia de ter que se envolver em áreas como evangelização, estudo etc... Por que isto? Por pura falta de preparo. E a verdade é esta, como alguém poderá evangelizar sem saber o que dizer, e como dizer? Como alguém poderá envolver-se com evangelização se muitas vezes ele próprio não tem certeza de sua salvação?

A IELM enquanto igreja luterana tradicional e histórica quer fazer a diferença. Queremos equipar nossos membros com material prático de evangelização. Queremos que cada membro de nossas comunidades seja não somente mais um número na estatística, mas um evangelizador para o Reino de Deus. Nenhum outro propósito, nenhuma outra prática é mais importante que anunciar Jesus como Senhor e Salvador.



Você é pastor luterano, ou almeja o Santo Ministério? Entre em contato e venha fazer parte desta visão. Seja um obreiro fiel plantando igrejas, compartilhando Jesus e colaborando para o crescimento do Reino de Deus.


Rev. Ari Fialho Júnior
Igreja Evangélica Luterana Missionária
Soli Deo Gloria!


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pergunta feita por leitor do Blog ao Rev. Ari sobre Tribulação e Milênio, e qual a diferença entre Luteranismo e Arminianismo. Acompanhe a resposta:


Leitor em Dúvida
 Graça e paz Reverendo Ari, gostaria que me respondesse as questões abaixo:
 
A. Haverá a grande tribulação e nela os cristãos serão perseguidos, torturados e mortos pelo anticristo e seus seguidores, ou os cristãos serão arrebatados antes disso ou protegidos por Deus de forma milagrosa?
 
B. Qual as diferenças entre a Teologia Luterana e a Teologia Arminiana?
 
 
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Rev. Ari Fialho Júnior
 
Olá Leitor em Dúvida,
 
Paz e Graça em Cristo Jesus, Senhor e Salvador de todo aquele que nEle crê!
Obrigado por sua participação em nosso blog.
 
É sempre uma satisfação poder servir a Deus, seja pregando o Evangelho Eterno a toda a criatura, ou simplesmente respondendo perguntas pertinentes ao Reino de Deus.
 
As perguntas que você fez são de cunho doutrinário. Vale lembrar que existem várias vertentes doutrinárias que discorrem sobre o mesmo tema, porém com interpretações diferentes. As respostas que trarei a você não expressam apenas o ensinamento Luterano, mas também aquilo em que eu pessoalmente creio ser a correta exposição das Sagradas Escrituras sobre o assunto em questão. Portanto, ao ler minhas respostas lembre-se que estou respondendo não somente como Teólogo Luterano, mas também como cristão verdadeiro que está convicto de que aquilo que aprendeu está em total concordância com a Santa Palavra de Deus. (a Ele toda a Honra e Toda a Glória!).

Procurarei ser sucinto nas respostas, mas por tratar-se de um assunto extremamente amplo temo ter que me estender um pouco.
        Não há livro mais esclarecedor do que a Santa e Imutável Palavra de Deus, a Bíblia. Entretanto, apenas para facilitar o entendimento, em alguns pontos transcreverei trechos dos livros explicativos sobre doutrinas bíblicas. Tais livros são oficialmente reconhecidos por nossa denominação como a correta exposição das Sagradas Escrituras. Ao final das citações colocarei as fontes.

Vamos ao que interessa:
 
Leitor
Sua primeira pergunta:

A. Haverá a grande tribulação e nela os cristãos serão perseguidos, torturados e mortos pelo anticristo e seus seguidores ou os cristãos serão arrebatados antes disso ou protegidos por deus de forma milagrosa?





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Rev. Ari
O propósito inicial e final da Palavra de Deus é nos ensinar sobre o amor do Senhor por nós, e apresentar seu plano de Salvação para a humanidade, que na pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, se consolidou na morte de Cruz e ressurreição do Senhor. E para completar nossa alegria, constatamos claramente que todo o verdadeiro ensino bíblico também nos serve para Exortação, Consolo, e Edificação. Assim sendo, qualquer ensino que pretenda ter o status de Ensino Bíblico, deve inevitavelmente exortar, consolar e edificar, mas acima de tudo deve ser claro, coerente, e estar em completa conformidade com as Sagradas Escrituras. 

Resposta direta a sua pergunta: Não haverá a suposta Grande Tribulação, e também não haverá o suposto Milênio, simples assim.

Por que? Porque doutrinas relativamente novas como Milenismo (quiliasmo), e Tribulacionismo, são doutrinas que não oferecem consolo, antes o contrário, servem apenas para penalizar ainda mais as almas angustiadas e inseguras. Tais doutrinas não servem a Deus e para piorar provocam dúvidas nos irmãos mais fracos na fé. Sabemos bem quem é o verdadeiro autor destas doutrinas.

O que está em questão aqui é o Poder de Deus. A Obra Redentora de Cristo. A segunda vinda do Salvador.

A triste verdade é que por conta da soberba, o ser humano, do "alto" de toda a sua "sabedoria", não pode simplesmente aceitar a Palavra de Deus como Ela é. Não consegue acreditar na simplicidade do plano da Salvação Eterna. Não, para o homem é necessário mais do que a morte e ressurreição do Senhor Jesus, é necessário que ele mesmo, o próprio homem faça a sua parte, promova sua própria salvação. Mas como cura d'almas eu afirmo, isto não passa de presunção e tremenda arrogância da parte do ser humano, que não satisfeito por não poder se "auto salvar", decidiu então criar algumas pseudo doutrinas bíblicas e colocar alguns "degraus" na redenção da humanidade, de modo que agora todos terão uma pequena participação na obra da salvação, nem que seja o mérito de ter sofrido por amor do Senhor. É triste isto, mas arderão no fogo do inferno todos os que permanecerem neste pensamento.

Na explicação abaixo você verá que nem mesmo entre os que ensinam sobre Tribulação há consenso. Antes o contrário, há divisões e contendas entre eles por causa do que eles afirmam ser doutrinas bíblicas.


Tribulacionismo:


Os teólogos que crêem e ensinam sobre o tema se dividem em três diferentes correntes:


1) Pré-Tribulacionistas: Os defensores desta doutrina acreditam que a igreja não passará pela tribulação, pois será arrebatada antes que ela se inicie(Ap.3:10; Rm.5:9; ITs.1:10;5:9)


2) Tribulacionistas: Os defensores desta opinião acreditam que a igreja vai passar pela primeira metade da tribulação, e será arrebatada no meio dos dois períodos de três anos e meio cada. Seus defensores citam At.14:22 para fundamentar esta opinião.


3) Pós-Tribulacionistas: Estes acreditam que a igreja passará por todo o período da tribulação, e será arrebatada apenas após a tribulação, por ocasião da segunda vinda de Cristo. Eles não distinguem a segunda vinda em duas fases.
Os três tipos de defensores da tribulação concordam e discordam entre si no que diz respeito a salvação neste período, visto que segundo seus ensinamentos o Espírito Santo já terá se retirado da terra. Por conta disto uns afirmam que haverá salvação e que esta se dará pelo esforço de cada um (boas obras - esqueceram de Ef 2.8-9)..., outros afirmam que será por fé e graça (como assim? Mesmo sem o Espirito Santo presente?), enfim, estes erros e confusões ocorrem justamente porque tais doutrinas NÃO SÃO VERDADEIRAMENTE bíblicas.

Para muitos a tribulação toma sentido quando analisado a luz da outra suposta doutrina bíblica chamada Milenismo, pois alguns dos seguidores destas duas doutrinas crêem que logo após a suposta grande tribulação acontecerá o suposto Milênio.

Estranhamente também aqui há três tipos de correntes doutrinárias que de um jeito ou de outro aceitam ou rejeitam o Milênio, e ao mesmo tempo discordam entre si:
 
1) Amilenistas:
 
2) Pré-Milenistas:
 
3) Prós-Milenistas:
 
Assim como os Tribulacionistas, os Milenistas passam longe da realidade bíblica. Perdidos em seus infindos debates esquecem que o Senhor nos chamou para pregar as boas novas, para levar a Salvação, para apresentar Jesus Cristo como nosso verdadeiro Salvador.

Mas o que a Bíblia diz sobre isto?

    "A Bíblia não ensina o quiliasmo (milênio). - Os textos veterotestamentários citados a favor do milênio são mal entendidos e mal aplicados. Não falam nem de um reino visível de Cristo na terra, nem de um crescimento exterior e condição florescente da igreja, senão que descrevem, em linguagem figurada, a natureza e condição espirituais da igreja neotestamentária. O que lemos em Isaías 2.2,3, se cumpriu e está sendo continuamente cumprido quando pessoas vêm a Cristo, como aprendemos em Hebreus 12. 22. A paz de que fala Isaías (Isaías 2.4; 9.4,5; 11.6-9) veio ao mundo quando nasceu o menino Jesus (Isaías 9.6; Lucas 2.14), e continua sendo proclamada no evangelho da paz (Efésios 6.15), e é dada a quantos creem em Jesus (João 16.33). A referência em Joel 3.1 e seguintes cumpriu-se em Atos 2.16, e Amós 9.11,12 está sendo cumprido pela entrada dos gentios na igreja (Atos 15.13 e seguintes)  


    Embora não haja tal coisa como o milênio, é necessário discutir a questão, porque há muitos que esperam um milênio. Diz a Igreja Luterana na Confissão de Augsburgo: "Também condenam outros, que agora estão difundindo certas opiniões judaicas, que antes da ressurreição dos mortos os justos tomarão posse do reino do mundo, sendo os ímpios eliminados em toda a parte" (Art. XVII, 5). Nessas palavras a Igreja Luterana rejeita o quiliasmo, segundo o qual antes da vinda de Cristo para o juízo, o Senhor estabelecerá um reino milenar na terra. Os quiliastas, todavia, não estão de acordo entre si quanto ao caráter geral e quanto a numerosos pormenores desse reino. De um modo geral, podemos dividi-los em Pré-Milenistas e Pós-Milenistas (Cf. Concordía Cyclopedia, verbete "Millennium", páginas 471-474).

 
Amilenistas: Os que defendem esta posição não creem na literalidade do reino milenial. Para eles o milênio é uma realidade puramente espiritual, que se estende do primeiro advento ao segundo advento de Cristo, período este que já se completou quase 2.000 anos, e que culminará na grande tribulação para restauração da igreja e o progresso do testemunho do evangelho.
 
 
Pós-Milenistas: Sustentam que efetivamente haverá um milênio, mas que Cristo voltará visivelmente não antes, mas depois do milênio. Crêem que por mil anos, ou por um período de tempo indefinido, a igreja estará em posição florescente e dominadora. Através de agências cristãs o evangelho gradativamente permeará o mundo inteiro, tornando-se mais eficaz do que atualmente na vida social, comercial, política e internacionalmente. Todo o Israel será convertido e grande número de pessoas entrará na igreja. Depois desse período de aceitação universal do evangelho, haverá apostasia da fé, e as forças do mal tentarão destruir a cidade amada. Mas não terão êxito, pois repentinamente virá o Senhor, para julgar os vivos e os mortos.
O texto de Apocalipse 20 é geralmente considerado como sendo a prova principal a favor do milênio. Todavia, também esse capítulo está cheio de linguagem figurada, conforme mostra claramente o primeiro versículo. Não existe a mais leve indicação de que os mártires e santos reinarão com Cristo na terra por mil anos (v. 4), pois suas almas reinam com Cristo, e essas almas estão no céu. E tal reinar no céu é prometido ao cristão (2 Timóteo 2.12; Apocalipse 22.5). Os "mil anos" designam um longo período em contraste com "pouco tempo" (v. 3). A prisão de Satanás (v. 2) denota o período da dispensação neotestamentária. Com sua morte Cristo virtualmente libertou  a todos os homens do poder do diabo (Hebreus 2.14,15). Essa libertação é proclamada no evangelho (Atos 26.18), e se torna real para o indivíduo no momento em que crê (Colossenses 1,13,14). A primeira ressurreição é a ressurreição espiritual, quando a pessoa chega à fé (Efésios 2.5,6). O próprio Cristo distingue essa ressurreição (João 5.25) da ressurreição física (João 5.28,29). O "pouco tempo" durante o qual Satanás será solto (Apocalipse 20.3,7-9) refere-se aos tempos perigosos que precedem imediatamente a vinda de Cristo para o juízo (2 Timóteo 3.1-5; Mateus 24). A batalha de Satanás, Gogue e Magogue  contra a cidade querida (Apocalipse 20.8,9) não é batalha física, com todos os petrechos mortíferos da guerra moderna, mas é batalha de natureza espiritual, e consiste nisso: Satanás porá em ordem todas as suas forças, fora e dentro da igreja visível, para atacar e corromper as doutrinas do evangelho, e assim destruir no coração dos homens aquela fé pela qual, unicamente, são e permanecem cidadãos do reino da graça de Cristo e herdeiros da salvação. O que lemos em Apocalipse 20.8 é o mesmo que lemos em Mateus 24.5,24.
 
É verdade que "todo Israel será salvo" (Romanos 11. 26). Mas "todo Israel", nesse verso, é usado no mesmo sentido em que a expressão "plenitude dos gentios" é usada no verso precedente. Assim como nem todo gentio será salvo, tão pouco se salvará todo aquele que é israelita segundo a carne. Mas o número total dos eleitos de Israel será salvo, da mesma forma como será salva a totalidade dos eleitos de entre os gentios. Assim como todos os gentios que serão salvos constituem a "plenitude dos gentios", assim todos os israelitas que serão salvos constituem "todo o Israel" de Deus. Enquanto e até quando Deus junta seus eleitos de entre os gentios, também juntará seus eleitos de entre os judeus. Em Romanos 9.6-12 Paulo ensina claramente que nem todos os que são israelitas segundo a carne também são o Israel que Deus reconhece como seu Israel. Filhos de Abraão são apenas os da fé que Abraão teve (Gálatas 3.7). Apenas esses constituem "todo o Israel" que será salvo.

 
Pré-Milenistas: Falam em uma tríplice vinda visível de Cristo. A Bíblia só conhece duas vindas (Hebreus 9. 28). Ensinam uma primeira e segunda ressurreição física. Cristo nos diz que ressuscitará os crentes no dia derradeiro (João 6.40), e que bons e maus serão ressuscitados simultaneamente (João 5.28,29). Desviam a esperança e a expectativa dos cristãos para um reino terrenal durante o milênio. A Bíblia nos ensina que esperemos o reino dos céus (Atos 14.22; Mateus 5.12; Filipenses 3.20,21). Textos como Mateus 24, 2 Tessalonicenses 2 e 2 Timóteo 3.1-5 improvam o ensino dos Pós-Milenistas. O quiliasmo em todas as suas formas não tem fundamento nas Escrituras e está cheio de graves perigos para os cristãos.


 "Os pré-milenistas ensinam que Cristo virá visivelmente a essa terra antes do milênio e no início dele. Nesta ocasião os santos ressuscitarão (a primeira ressurreição) e reinarão com Cristo na terra durante mil anos. Durante esse tempo Satanás estará acorrentado, a iniqüidade será reprimida, e a justiça e a paz prevalecerão na terra. Todo o Israel e muitos outros se tornarão para o Senhor. Passados os mil anos, Satanás será solto por um pouco de tempo e fará guerra furiosa contra o acampamento dos santos. Mas logo aparecerá o Senhor para julgar o mundo. Então ressuscitarão os outros mortos (a segunda ressurreição), e Satanás, seus anjos e todos os ímpios serão lançados no lago de fogo e enxofre. A terra será renovada e se tornará o lar dos remidos".  


(Sumário da Doutrina Cristã - páginas 281 a 283 - Editora Concórdia 1981 - 2ª ed. Koehler)


Diante de tudo o que expus acima é desnecessário dizer que não somente eu, mas o Luteranismo verdadeiro inteiro rejeita completamente tanto o Tribulacionismo, quanto o Milenismo, além de todas as possiveis doutrinas decorrentes destas. Estas pseudo doutrinas bíblicas nada fazem senão gerar grande confusão em meio a cristandade. Negam a verdadeira interpretação bíblica e atropelam de todo a Obra do Senhor Jesus (a Ele toda a Honra e toda a Glória).  
 


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 Leitor

Sua segunda pergunta:

B. Qual as diferenças entre a teologia Luterana e a teologia Arminiana?
 





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 Rev. Ari


Aqui também para facilitar a leitura dividirei a resposta em várias partes. Veja abaixo os cinco pontos principais do Arminianismo e compare com a Teologia Luterana, que em forma resumida estará exposta logo após cada ponto abordado:
 




1.       VONTADE LIVRE:

O primeiro ponto do Arminianismo sustenta que o homem, mesmo após a queda é dotado de vontade livre de tal modo que ainda que na qualidade de homem natural, espiritualmente morto, possa decidir-se por conta própria se quer ou não optar pela salvação eterna.
 
Teologia Luterana: Rejeitamos este ensino Arminiano. Cremos, Ensinamos e Confessamos que no paraíso o homem foi dotado de vontade livre, mas após a queda esta liberdade perdeu-se juntamente com a perda da “Imago Dei”.  Com a queda o homem não só deixou de ser imagem e semelhança de Deus, como passou a ser imagem do pecado, escravo de Satanás. Com isto perdeu o atributo chamado “Livre Arbítrio”. Nossa doutrina é que o entendimento e a razão do homem são cegos em coisas espirituais, e nada entende ele com suas próprias forças, como está escrito: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las”. Sendo assim, como poderia alguém morto em seus delitos e pecados, decidir-se por algo espiritual como a Salvação Eterna, visto que o homem natural sequer é capaz de entender tais questões?
 
Arminius acreditava que a queda do homem não foi total, e sustentou que no homem, restou "bem" suficientemente capaz de habilitá-lo a querer aceitar Cristo como Salvador. Evidentemente isto não é verdade. Este erro arminianista faz parte da controvérsia Flaciana (1560 – 1575).
 
Teologia Luterana: Rejeitamos este ensino Arminiano. Cremos, Ensinamos e Confessamos que o pecado original é pecado que herdamos de adão, isto é, a completa corrupção de toda a natureza humana, agora privada da justiça original, inclinada para todo o mal e sujeita à condenação. (cf. Sl 51.5; Rm 7.14,18,23; Rm 3,23; Sl 143,2; Gn 8,21; Rm 8,7; Jr 2,22; Ef 2,3; Jo 3,5).
                               
Não somente os assumidamente Arminianos, mas muitos outros grupos negam essa corrupção total: Os Pelagianos, os Católicos, os Metodistas, os Adventistas, a Ciência Cristã, os Mórmons, os Pentecostais, e todos os entusiastas em geral.
 
 
2.       ELEIÇÃO CONDICIONAL
 
Arminius ensinava também que a eleição estava baseada no Pré-conhecimento de Deus em relação àquele que deve crer. Em outras palavras, o ato de fé, por parte do homem, é a condição para ele ser eleito para a vida eterna, uma vez que Deus previu que ele exerceria livremente sua vontade, num ato de volição positiva para com Cristo.
 
Teologia Luterana: Rejeitamos este ensino Arminiano. Cremos, Ensinamos e Confessamos que sendo a fé no Salvador Jesus algo espiritual, torna-se impossível ao homem produzi-la por sua própria vontade e força, pois como dito anteriormente o homem está morto em seus delitos e pecados (Ef. 2,5; Ico 2.6-10,14;), e de modo algum pode entender as coisas do Espírito de Deus.
 
Não existe algo como “fé pré-existente”. Se Deus salvasse o homem tendo como causa algo pré-existente na humanidade, então a salvação já não seria pela graça, mas por mérito de cada individuo. O máximo que conseguimos por esforço e vontade é adquirir conhecimento intelectual sobre Deus, tal conhecimento, porém em nada nos serve para efeito de salvação. É mister lembrar que Fé verdadeira outra coisa não é senão a operação autentica do Espírito Santo em nossas vidas.

 
3.       EXPIAÇÃO UNIVERSAL
 
Arminius e seus seguidores sustentam que a redenção é geral. Em outras palavras: A morte de Cristo oferece a Deus base para salvar a todos os homens. Contudo, cada homem deve exercer sua livre vontade para aceitar a Cristo.
 
Teologia Luterana: Rejeitamos este ensino Arminiano. Cremos, Ensinamos e Confessamos que embora acertadamente se ensine que Jesus morreu por toda a humanidade e quer seriamente que todos sejam salvos, nossa justiça perante Deus consiste no fato de que Deus nos perdoa os pecados por mera Graça, sem qualquer obra, mérito, decisão própria, ou dignidade nossa precedente, presente ou consequente, nos dá de presente e imputa a justiça da obediência de Cristo, justiça em razão da qual somos aceitos por Deus na graça e considerados justo.
 
“Não somente os Arminianistas, mas todos os Pelagianistas e Semi-Pelagianistas munidos de suas várias formas de sinergismos erroneamente crêem que o homem natural pode, com suas próprias forças, voltar-se do pecado ao Salvador, crer nEle e assim ser salvo; ou que pode, em alguma medida, cooperar com o Espírito Santo em sua conversão. Admitem que a redenção se efetuou sem a cooperação do homem, mas insistem que o homem deve contribuir com algo de positivo, por menos que seja, para sua conversão, e que, a menos que faça isto, não pode ser convertido. O sinergismo é doutrina falsa. Resulta de tentativas no sentido de explicar porque alguns são convertidos e outros não. Veremos que conquanto o homem possa ser convertido, nada pode fazer a favor de sua conversão”.  (Sumário da Doutrina Cristã – Koehler – Pág. 121)


4.       A GRAÇA PODE SER IMPEDIDA
 
Os Arminianos corretamente crêem que Deus quer que todos os homens sejam salvos, e que Ele envia seu Santo Espírito para atrair todos os homens a Cristo. Contudo, segundo eles, desde que o homem goza de vontade livre absoluta, ele pode resistir à vontade de Deus em relação a sua própria vida. Vale lembrar que os Arminianos sustentam que, primeiro, o homem exerce sua própria vontade e só depois nasce de novo. E que, ainda que creia que Deus é onipotente, insistem em que a vontade de Deus, em salvar a todos os homens, pode ser frustrada pela finita vontade do homem como indivíduo.
 
Teologia Luterana: Rejeitamos este ensino Arminiano. Cremos, Ensinamos e Confessamos que realmente Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (I Tm 2.4). Deus enviou seu filho ao mundo para que o salvasse (Jo 3,17). Deus não nos destinou para ira, mas para salvação (I Ts 5,9). Porém, Deus é Onipotente e sua vontade não pode em hipótese alguma ser frustrada. A graça de Deus é irresistível. Assim sendo, o homem natural não só não conhece o Deus da graça, como lhe é impossível decidir-se por segui-lo. O que torna inútil a especulação sobre se o homem em seu estado natural pode simplesmente resistir, ou rejeitar a graça salvadora.
 

5.       O HOMEM PODE CAIR DA GRAÇA
 
O quinto ponto do Arminianismo é a consequência lógica das precedentes posições de seu sistema. O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a querer ser salvo.
 
Teologia Luterana: Rejeitamos este ensino Arminiano. Cremos, Ensinamos e Confessamos que o homem após a conversão se mantém na salvação por Obra e Graça de Deus, que na pessoa do Espírito Santo nos acolhe, consola e nos preserva na fé verdadeira. De modo que mesmo na manutenção da Graça não há qualquer participação humana, ou mérito que o habilite a permanecer na condição de salvo.
 
Com isto surge a pergunta: Então uma vez salvo, sempre salvo, não importa o que faça?
 
Resposta: A única maneira de alguém perder a salvação é se após convertido apostatar da fé, como nos mostra claramente o texto bíblico: Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;" (I Tm 4,1).
 
Resumindo: Deus quer salvar a todos. O evangelho oferece a redenção em Cristo a todos. Quem é salvo é salvo unicamente pela graça de Deus.  Quem se perde se perde por culpa própria. (Cremos por isto também falamos - pg. 54 - Otto O. Goerl - Fórmula de Concórdia)


 
Rev. Ari 
Eis ai minhas respostas às suas perguntas amigo Leitor em Dúvida. Está o mais resumido possível, mas, como eu disse antes, por tratar-se de um tema tão amplo e tão profundo, mesmo um resumo acaba se estendendo.
 
Espero ter esclarecido suas dúvidas. Fique a vontade para questionar, concordar, discordar... Enfim, estou à disposição para maiores esclarecimentos.
 
Fique na doce Paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Ele que vive e reina juntamente com o Pai e o Espírito Santo. Amém!


Rev. Ari Fialho Júnior.
Igreja Ev. Luterana Missionária
Soli Deo Gloria!
 
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Fontes: Bíblia Sagrada - Almeida revista e atualizada.
Cf. Concordía Cyclopedia, verbete "Millennium", páginas 471-474.
Sumário da Doutrina Cristã – Koehler – Pág. 121- Editora Concórdia 1981 - 2ª ed. Koehler
Sumário da Doutrina Cristã - páginas 281 a 283 - Editora Concórdia 1981 - 2ª ed. Koehler
Cremos por isto também Falamos - pg. 54 - Otto O. Goerl - Fórmula de Concórdia
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quinta-feira, 25 de abril de 2013

O que é ser Luterano nos dias de hoje?

Para responder a essa pergunta e para entender a igreja luterana é necessário entender a Reforma Luterana. No entanto, existem algumas concepções erradas da Reforma.

Alguns defendem a interpretação heroica de Reforma. Estes veem na Reforma um desses grandes eventos que marcaram época na história mundial. Desse modo, Lutero é considerado o herói, o grande homem, um gênio que fez história. Quem conseguir compreender o grande homem Lutero terá obtido uma compreensão da Reforma Luterana.

Entretanto, Lutero estava totalmente convencido de que a sua pessoa poderia ser desconsiderada. Sua prontidão para o martírio expõe isso. Lutero foi um gênio, mas a Reforma Luterana não pode ser ligada à grande personalidade do reformador.

Até mesmo o uso do termo “luterano”, que surgiu como uma designação para os seguidores de Lutero, foi criticado pelo próprio reformador. Portanto, é errado concluir que a igreja luterana realiza um tipo de culto ao herói Lutero. Isso seria totalmente contrário aos ensinos de Lutero.

Há outras pessoas que defendem a interpretação Histórico-Cultural da Reforma. Estes ligam a Reforma com o iluminismo.

É uma visão segundo a qual a Reforma deve ser entendida como um evento na história da civilização mundial – uma reviravolta na história da civilização mundial. Esta é a visão própria do homem moderno, que vê na Reforma o nascer de uma nova era na cultura ocidental. Erasmo de Rotterdam, foi um humanista da época de Lutero, ligado ao movimento do iluminismo. Erasmo acreditava na dignidade do homem como uma criatura de Deus. Lutero, pelo contrário, acreditava que o ser humano está totalmente depravado e corrompido pelo pecado.

Portanto, Lutero e Erasmo, a Reforma e o humanismo, são opostos um ao outro. A questão sobre o bem estar eterno da alma era mais importante para a Reforma que a questão sobre o futuro da civilização humana; nessa última a Reforma nunca acreditou nem estava seriamente interessada.
Há ainda outras pessoas que defendem a interpretação Nacionalista da Reforma. Estes sustentam que a Reforma deveria ser interpretada como um evento na história nacional da Alemanha. Nesse sentido a reforma foi o protesto dos alemães contra o sistema do catolicismo romano e seu objetivo era o estabelecimento de uma igreja nacional alemã.

Qualquer um que pensa na Reforma luterana como uma germanização da igreja, como uma translação do cristianismo de Roma para a Alemanha, não a entendeu. Apesar de Lutero amar a Alemanha e o povo alemão, não estava em seus planos a idéia de uma igreja nacional. Todas as idéias clássicas religiosas da cultura alemã foram rejeitadas como heresias. A Reforma luterana não estava tentando estabelecer um cristianismo alemão; ela não estava interessada numa igreja alemã, distinta de uma romana; ela estava interessada em uma, a verdadeira, a única igreja de Cristo.

Mas o que, então, significa ser luterano e o que é a Reforma Luterana? Precisamos compreender a Reforma Luterana como um episódio na História da Igreja Cristã.

 
A Reforma só pode ser entendida do ponto de vista da realidade da igreja. A Reforma foi um evento que realmente marcou época para toda a igreja de Cristo, um evento na história da igreja que teve influência sobre a história total das nações europeias, e naturalmente afetou de modo bem particular a nação na qual teve sua origem, a Alemanha.

A Reforma pode ser entendida como uma renovação da igreja por meio de um retorno às Escrituras Sagradas. Sendo assim, a Reforma é um processo contínuo, porque a Igreja de Cristo sempre precisa retornar às Escrituras Sagradas. A Reforma foi uma renovação da igreja causada pela redescoberta e renovada proclamação da pura doutrina do evangelho do perdão
dos pecados. Mas isso já é assunto para um outro estudo.
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Fontes: O conteúdo deste post é uma adaptação de * O QUE SIGNIFICA SER LUTERANO? Publicado por LEANDRO CLAUDIR em 17 novembro 2011 - do blog Café História: http://cafehistoria.ning.com/group/historia-da-igreja-luterana/forum/topics/o-que-significa-ser-luterano

* Fonte de pesquisa utilizada pelo autor original: Sasse, Hermann. AQUI NOS FIRMAMOS: Natureza e caráter da fé Luterana. Ed. Concórdia.
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Pergunta feita por Alan Willian Costa no grupo Luteranos Livres do Braisl - ILL/Facebook, sobre a opinião do Rev. Ari a respeito da doutrina Aliancista Presbiteriana. Posteriormente o assunto focou-se sobre a eficácia no batismo de crianças e de adultos. Acompanhe:

Alan Willian Costa

[Bom dia Rev. Ari]. Eu me defino como um “Presbiluterano” ou “Lutesbiteriano”. Explicando os termos: Gosto muito da doutrina luterana, acredito que seja a que reflete melhor a “mente” de Cristo e o ensino das escrituras, mas na verdade, sou membro de uma igreja presbiteriana.
Fui ensinado sobre a chamada doutrina “aliancista”, que considera a Nova Aliança, confirmada pelo derramamento do sangue de Cristo na cruz, como o cumprimento das promessas feitas a Abraão, de que nele (Abraão) e na sua descendência seriam benditas todas as famílias da terra. A lei que veio 430 anos depois, serviu de “guia” até que o “testador” fosse morto e a Aliança (feita com Abrão e descendência) entrasse em vigor.
“Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.” Gálatas 3:6-9
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito. Irmãos, como homem falo; se a aliança de um homem for confirmada, ninguém a anula nem a acrescenta. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo. Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa. Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão.” Gálatas 3:13-18
Toda a explicação que recebi sobre o batismo infantil até hoje estava fundamentada no ensino de que Deus estabelece sua aliança, não apenas com indivíduos, mas com sua posteridade (gerações) e não com base na doutrina do pecado original. Por isso citei o texto de São Paulo que diz que a descendência de pais cristãos, ainda que apenas um deles seja, é santa.
O batismo na visão aliancista inclui o batizado na comunidade da aliança e o coloca debaixo das bênçãos e ameaças da aliança (bênçãos no caso de vida na aliança e ameaças no caso de violação), sendo a principal benção da aliança, a salvação em Cristo. Ou seja, a pessoa é salva pelo batismo, não no sentido de regeneração batismal, mas no sentido de herdeiro das bênçãos da aliança. Explicando de uma maneira bem simplória, o batismo (a circuncisão também) tinham o mesmo significado de um aperto de mão (no caso de um acordo entre amigos), de um selo real (no caso de uma carta de um rei) ou de uma assinatura em um contrato.
Eu creio, como os luteranos que o batismo é mais que mero sinal de uma aliança:
“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.” Gálatas 3:27
“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:5.
Mas também encontro certa coerência bíblica na doutrina aliancista, ensinada pelos calvinistas. Gostaria de ler seus comentários.



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Rev. Ari Fialho Júnior

1.Paz irmão Alan, li sua postagem. Amanhã publico resposta. Deus o abençoe!
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2.Paz de Cristo irmão Alan Willian Costa, peço desculpas por ainda não ter postado a resposta, mas um problema de saúde com meu pai alterou um pouco nossa rotina. Assim que possivel darei continuidade ao nosso diálogo. Permaneça firme na fé verdadeira. Deus o abençoe filho.

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Não se preocupe Rev. Ari Fialho Júnior, cuide bem de seu pai, quando ele estiver melhor a gente volta a conversar. Minha fé é a luterana, acredito no batismo como meio de graça, não como mero sinal. Só gostaria de ouvir seus comentários sobre a doutrina aliancista das igrejas reformadas, mas não tem pressa não. Quanto aos demais membros do grupo, quem quiser dar um "pitaco", fique a vontade.
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 Rev. Ari Fialho Júnior

Obrigado pela compreensão. Tá ai uma boa ideia.
Seria ótimo se outros membros do grupo pudessem opinar sobre sua pergunta.




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Rev. Ari Fialho Júnior

Olá Alan Willian Costa, Paz e Graça em Cristo Jesus!

Dando continuidade ao assunto por você iniciado sobre o Santo Batismo e a Aliança estabelecida por Deus, e já fazendo aqui meu pequeno comentário sobre a Doutrina Aliancista, afirmo que a doutrina l
uterana também ensina sobre a Nova Aliança que temos em Jesus Cristo, não, porém nos mesmos moldes doutrinários do Calvinismo. Essa Aliança havia sido prometida por Deus em textos claros do Antigo Testamento que apontam para a Cruz de Cristo e finalmente foi instituída por Jesus Cristo na ultima Ceia (Mt 26.28; Mc 14.24; 1 Co 11.25).


Entretanto a diferença clássica entre a doutrina luterana e a presbiteriana sobre o tema em questão, aliás, diferença esta que consequentemente se estende também ao Santo Sacramento do Altar é que para a doutrina Luterana os Sacramentos não são somente “sigilla verbi”, mas também que os Sacramentos têm eficácia inerente. Ou seja, assim como a palavra de Deus que não é mero símbolo ou selo e tem eficácia em si mesma sem necessidade de que a possível “fé” do leitor interfira de alguma maneira, assim também se dá em relação ao Batismo e a Santa Ceia.

Como dito anteriormente o batismo é meio da graça onde o perdão dos pecados obtido por Cristo nos é oferecido e concedido, pois somos batizados “para remissão dos pecados” (At 2.38). No batismo os pecados são lavados (At 22.16). No batismo nos revestimos de Cristo e somos revestidos por seus méritos (Gl 3.27), somos santificados e purificados (Ef 5.26).

E quanto aos infantes todos sabemos que a criança tem pecado sim, e disto não temos dúvida, pois o pecado original vem de geração em geração desde os tempos de adão (Sl 51,5;Rm 5,12). Deste modo, podemos dar graças a Deus que o Batismo que não é simples “sigilla verbi” como ensina a Doutrina Aliancista. Na verdade, com sua eficácia inerente, o Batismo cumpre objetivamente sua função quando lava e regenera o infante livrando-o do pecado original e trazendo-o para junto de Deus e da família da fé.


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Alan Willian Costa

Olá Rev. Ari Fialho Júnior como vai? Seu pai está melhor? Espero que sim! Mande notícias dele e mande nosso abraço a ele também. Como você respondeu minha pergunta anterior, acredito que já poemos dar prosseguimento ao nosso assunto (espero que não esteja ficando chato). Uma vez aceito que as crianças são regeneradas mediante o batismo, inclusive recebendo nele a fé salvífica, fica uma dúvida, referente agora ao batismo de adultos. Os adultos, especialmente em campos missionários estabelecidos em países não cristãos, eles normalmente são batizados após a "conversão", ou seja, ouvem a pregação de evangelho, creem e após algum tempo são batizados. Quando são regenerados? Quando ouvem o evangelho e creem ou quando são batizados? Se é quando creem, que faz o batismo nestes? Se é quando são batizados, o que aconteceria se porventura falecessem antes do batismo? Abraços fraternos!

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Rev. Ari Fialho Júnior

Alan Willian Costa, a Paz do Senhor!

Não tem sido fácil, mas meu pai está melhorando a cada dia. Obrigado por perguntar. Darei o abraço nele.

Certamente podemos continuar conversando. Aliás, não só nós, mas cada membro do grupo está convidado a dar sua opinião. O assunto é amplo e com toda a certeza não será esgotado com nosso diálogo, o que de fato nem é nossa pretensão.

Sua pergunta é bem interessante, e destaco esta parte: "Os adultos, especialmente em campos missionários estabelecidos em países não cristãos, eles normalmente são batizados após a "conversão", (...) Quando são regenerados? Quando ouvem o evangelho e creem ou quando são batizados"? (Alan W. C.)

Sabemos que Deus usa meios para alcançar sua Graça Salvadora ao homem, a saber: Palavra e Sacramentos. Em se tratando de adultos o Espírito Santo, fazendo uso da Santa Palavra de Deus opera a conversão e regeneração na seguinte ordem: 1º pela Lei Deus opera no homem o conhecimento do pecado e contrição de coração; 2º Pelo evangelho chama pecadores penitentes a Cristo; 3º Converte-os pela operação de fé em seus corações; 4º Justifica-os através dessa fé; 5º Santifica-os nessa fé; 6º e preserva-os nessa fé para salvação. (Koehler). (o exposto acima está em ordem numérica apenas a titulo de estudo, não indicando um "processo", "passo-a-passo" ou uma ordem especifica de tempo e espaço) (Rev. Ari)
Sabemos que o arrependimento verdadeiro é obra de Deus na vida do penitente, portanto podemos concluir que se há arrependimento é por que houve conversão e certamente houve regeneração, pois embora pareça haver um “passo-a-passo” exposto acima, na verdade quando falamos de salvação e regeneração elas ocorrem juntas.

Resumindo a resposta para sua 1ª pergunta: Os adultos não batizados são regenerados no ato da sua conversão.

2ª Pergunta: Se é quando creem que faz o batismo nestes? (Alan W. C.)

Como resposta a sua segunda pergunta faço minhas as palavras de Koehler: “Em Atos 2.41; 8.26-40; 10.47,48 aprendemos que os adultos primeiro eram instruídos. Por esta razão procedemos da mesma maneira. Estas pessoas não são convertidas ou feitas discípulos pelo batismo. São isso pela fé em Cristo, fé que confessam antes do batismo (Atos 8.37). No caso deles o batismo lhes confirma a graça de Deus, e os fortalece na fé, como faz a Ceia do Senhor". (Koehler – sumário da doutrina Cristã – Ed. Concórdia - Pág. 197)


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Alan Willian Costa

A explicação do batismo de adultos é idêntica à doutrina calvinista dos sacramentos (confirmam e fortalecem a fé, mas não regeneram). A diferença permanece no batismo de infantes, que segundo a doutrina luterana, opera a fé e a regeneração e na calvinista apenas oferece a graça, devendo ser recebida pela fé posteriormente. (a doutrina da salvação de infantes no calvinismo está mais ligada à doutrina da predestinação, que a doutrina do batismo).
Esta explicação entretanto parece divergir de alguns textos que parecem ensinar que os adultos também são regenerados pelo batismo:
“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:5
“Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” Marcos 16:16
“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;” Atos 2:38
“E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.” Atos 22:16
“Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.” Colossenses 2:12
“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” Romanos 6:4
“E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.” Atos 22:16
“Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,” Efésios 5:26
“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, “ Tito 3:5


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Rev. Ari Fialho Júnior


A Paz do Senhor!

A explicação luterana do batismo de adultos até certo ponto pode se parecer com a explicação na doutrina calvinista, mas apenas “parecer”, pois cada explicação surge a partir de doutrinas completamente diferentes. Isto porque sabemos
que o Batismo não conhece idade, permanece com sua eficácia inerente, e age objetivamente em qualquer circunstância. Como ensina o site da Hora Luterana: “Cremos, ensinamos e confessamos que o sacramento do santo Batismo foi ordenado por Jesus como meio da graça pelo qual o Espírito Santo opera a remissão dos pecados, livra da morte e dá a vida eterna a [TODOS] quantos crêem. (...), e aos adultos o Batismo sela o perdão dos pecados. (...) (“Cristo para Todos” – Publicação da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, Maio 1994, p. 13)
Sendo assim a aparente diferença entre o batismo infantil e o batismo de adultos na doutrina luterana não está propriamente no batismo em si, visto que como eu disse antes o Sacramento permanece o mesmo, mas na própria situação em questão. Ou seja, de um lado temos um infante indefeso, sem domínio de qualquer tipo de linguajem, que jamais cometeu pecado algum, MAS morto espiritualmente e afastado de Deus por conta do pecado original, de outro temos um adulto capaz, com domínio de diversas formas de comunicação e compreensão, repleto de pecados por todos os lados, e também morto espiritualmente pelo pecado original. No que diz respeito a estarem afastados de Deus ambos estão em situação semelhante perante o Senhor, mas sabendo que Deus utiliza Palavra e Sacramentos para oferecer perdão, e sabendo que o adulto é plenamente capaz de ouvir tais palavras, e segundo a vontade do próprio Deus, vir a crer em Jesus como Senhor e Salvador, porque desprezar a Palavra em relação a conversão/regeneração dos adultos? (o mesmo não se pode pensar em relação aos infantes, vê-se aqui a maravilhosa sabedoria de Deus, e gigantesca demonstração de amor aos seus).

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. (Rm 10:13-17)

Quando Koehler trás a seguinte explicação:

“Em Atos 2.41; 8.26-40; 10.47,48 aprendemos que os adultos primeiro eram instruídos. Por esta razão procedemos da mesma maneira. Estas pessoas não são convertidas ou feitas discípulos pelo batismo. São isso pela fé em Cristo, fé que confessam antes do batismo (Atos 8.37). No caso deles o batismo lhes confirma a graça de Deus, e os fortalece na fé, como faz a Ceia do Senhor. (Koehler – sumário da doutrina Cristã – Ed. Concórdia - Pág. 197)”
Ele não está negando ou diminuindo a eficácia e capacidade de regeneração do batismo no adulto. A expressão: “Estas pessoas não são convertidas ou feitas discípulos pelo batismo.” Não implica que para adultos o batismo não é eficaz quanto à regeneração, o propósito de Koehler é demonstrar que em conformidade com a Palavra de Deus os adultos são primeiramente instruídos para então serem batizados.

Com isto podemos concluir que não há qualquer divergência entre a doutrina luterana do batismo de adultos e os versículos da Palavra de Deus que você citou, mesmo porque logo após a instrução dos adultos aplica-se o batismo.

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